Reconstrução – Neemias 1:4-11

15 11 2010
Reconstrução (Neemias 1:4-11)
Vez por outra as pessoas perdem o foco daquilo que estipularam para realizar ao longo de suas vidas. O problema com esta perda é que muitas vezes fica difícil retornar de onde se parou. As pessoas e coisas externas, quando nos tiram do foco, deixam-nos numa situação geralmente desconcertante.

Neemias emerge, neste livro que leva o seu nome, como um líder exemplar, pois coordenou e levou adiante uma grande construção, apesar das adversidades iminentes.

Gostaria de pensar no tema reconstrução não apenas no âmbito mais restrito da palavra, mas sim em termos mais amplos, por exemplo: reconstrução de uma vida espiritual, de uma família, de um casamento, da vida sentimental, profissional, da saúde etc. Em todas essas áreas, que nem sempre têm a ver com reconstruir, é possível iniciar um processo de reconstrução. Contudo, há algumas práticas essenciais que devemos desenvolver para tanto. Vejamos:

1. Saiba o que quer (2:4,5)
“O rei me disse: O que você gostaria de pedir? Então orei ao Deus dos céus, e respondi ao rei: Se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à cidade onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa reconstruí-la.”

Neemias resolvera declarar-se: “… Faze com que hoje este teu servo seja bem sucedido, concedendo-lhe a benevolência deste homem” (1:11). Pode até ter resolvido precipitar a pergunta ao permitir que seus sentimentos se tornassem óbvios. Agora chegara o momento, e se não o manejasse corretamente, não haveria outro. O assunto é introduzido de modo sensível.

Neemias assim como Ester, tinha a sabedoria de apresentar o assunto primeiramente como notícias de um golpe pessoal, não como uma questão política. Ele não menciona Jerusalém por nome; talvez desejasse despertar a compaixão do rei ao ressaltar, em primeiro lugar, a profanação dos túmulos ancestrais, “…Como não estaria triste o meu rosto, se a cidade em que estão sepultados os meus pais está em ruínas, e as suas portas foram destruídas pelo fogo?” (2:4)

É impressionante o fato de, muitas vezes, as pessoas não saberem o que quer. Às vezes, elas falam, falam, e não tornam claro aquilo que realmente quer. Quando não se sabe o que deseja, também não se sabe aonde quer chegar. A ausência do conhecimento sobre o que se quer na vida profissional, cristã, familiar, sentimental e em outras áreas, pode se chamar de falta de foco. Quando não se tem foco, fica difícil saber aonde se pretende chegar; consequentemente, “atira-se” para todos os lados.

Neemias sabia muito bem o que precisava naquela ocasião. Seu alvo era conseguir a autorização do rei para ir até Jerusalém construir os muros. Percebe-se, desde a sua primeira conversa com o rei, que ele já tinha em mente seu alvo.

Qual tem sido o seu alvo para os diversos vieses da vida? Quem não tem conhecimento do local em que pretende chegar, qualquer lugar serve. Eu imagino que você não pretende ir para um canto qualquer, não é mesmo? Portanto, quero desafiá-lo a seguir o exemplo de Neemias; um homem que tinha muito claro em sua mente qual era o seu alvo.

2. Mantenha o foco (6:1-9)
“Sambalate e Gesém mandaram-me a seguinte mensagem: Venha, vamos nos encontrar num dos povoados a da planície de Ono. Eles, contudo, estavam tramando fazer-me mal; por isso enviei-lhes mensagei­ros com esta resposta: “Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês?”

As obras de defesa já tinham chegado àquela etapa crucial, perto do seu término, em que tudo ainda poderia ser perdido ou logo ganho. Os portais vazios era a única esperança dos inimigos de ganharem a vantagem sem propriamente montar um cerco, que estaria fora de cogitação contra outros súditos da Pérsia. Já na quarta vez de enviar o pedido (6:4), Sambalate deve ter reconhecido que sua ansiedade estava começando a revelar-se. Sua mudança de tática, o envio de uma carta aberta (6:5,6), era uma garantia de que os boatos maliciosos que continham se tornariam, mais cedo ou mais tarde, de domínio público, que Neemias reconheceria este fato (Kidner: 108).

A resposta brusca de Neemias talvez pareça muito altiva diante de um convite razoável, mas ele discerniu corretamente a insinceridade dos inimigos. Não se deixou distrair por questões que desviariam suas energias da reconstrução dos muros de Jerusalém.

Vez por outra as pessoas perdem o foco daquilo que estipularam para realizar ao longo de suas vidas. O problema com esta perda é que muitas vezes fica difícil retornar de onde se parou. As pessoas e coisas externas, quando nos tiram do foco, deixam-nos numa situação geralmente desconcertante, de modo que para nos centrarmos novamente dá o maior trabalho.

Neemias, por teu um alvo, estava com o seu foco nele, de modo que as várias propostas feitas por seus opositores não alcançaram êxito. Em outras palavras ele afirmou que não podia deixar de lado sua responsabilidade para resolver outras questões. Isso sim é foco! É claro que ele, como afirma o texto, percebeu que seus oponentes estavam tramando contra ele e seus auxiliares, o que, certamente, o motivou mais ainda para não perder o foco.

Faça como o grande empreendedor Neemias, afine-se com Deus para perceber tudo aquilo que tenta tirar-lhe do foco e seja determinado para dizer não às propostas, muitas vezes atraentes, que têm como objetivo mudar o seu rumo.

3. A obra é divina (2:8; 4:15,20)
“Visto que a bondosa mão de Deus estava sobre mim, o rei atendeu os meus pedidos. (…) Quando os nossos inimigos descobri­ram que sabíamos de tudo e que Deus tinha frustrado a sua trama, todos nós voltamos para o muro, cada um para o seu trabalho. Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta, juntem-se a nós ali. Nosso Deus lutará por nós!”

Se ficamos impressionados com o realismo e a coragem destes pedidos (2:7,8), o rei possivelmente também ficou. Qualquer atitude vaga a esta altura teria demonstrado que o projeto era um mero sonho ou impulso repentino; Neemias, porém, orara por tempo suficiente (1:4-11) e tivera muita fé para visualizar e realizar a obra com todos os seu detalhes. Mas o fator decisivo, conforme reconhecia, não era a sua fé, todavia o objeto dela; o Deus que era seu Deus, cuja boa – isto é graciosa – mão estava sobre ele (2:18).

Creio que muitos de nós já deixamos de lado alguma obra (algum afazer de modo geral) que começamos, por achar que não éramos capazes de desenvolvê-la. Talvez até tivéssemos estabelecido o nosso alvo, mantido o foco, mas em algum momento faltou acreditar que Deus estava no negócio e, como conseqüência, o alvo não foi atingido. Isso já aconteceu com você?

Penso que a lição que aprendemos não é apenas a de buscar a Deus para definir um alvo e manter o foco, a fim de atingi-lo, mas sim a lição de que a obra que vamos desenvolver (alvo), uma vez que nos foi dada por Deus, é dele; portanto, em todos os momentos, tal como Neemias, podemos e devemos contar com o seu auxílio.

Deus abençoe a todos nós.

Pastor Renato (1ª Igreja Evangélica Irmãos Menonitas do Jabaquara).

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5 responses

21 11 2010
Elias dos Santos Euzébio

Que realidade moderna e impressionante a situação de Neemias. As pessoas realmente passam por situações onde se deixam levar pelas atrações errôneas, que podem estar levando-as ao encerramento de um grande almejo. Muitas das vezes terceiros tentaram interromper a minha busca do sonho de tornar-se aviador, e graças a Deus, dentro de um contexto de muitas orações e caminhando com Deus na busca, no momento em que as propostas a mim realizadas estavam extremamente atraentes e a ponto de me vencerem, fui levado pelo espírito santo de Deus a colocar na balança o meu sonho e as propostas, vi que o prazer de viver algo tão fácil de ser apalpado e sublime, mataria de uma vez por todo o meu ideal. Em nome de nosso senhor Jesus Cristo minha atitude foi firme e segura, abrindo mão do início de uma história “confortável” e um resultado frustrante pelo resto da vida. Hoje estou vivendo o sonho e crescendo! Agora pergunto; quantas pessoas sem Deus na vida abriram mão de sonhos e projetos, por propostas fáceis de pegar e viver, e hoje vivem no terror da frustração, tormento da cobrança e arrependimentos? Glórias ao nosso Deus que nos escolheu e nós o aceitamos. Deus seja louvado!

9 02 2013
gilmara fronza gomes

Obrigada pela palavra foi muito bom sou do ministerio infantil e a aula foi muito boa!!!!!

12 03 2013
pr. mario

maravilha de menssagem que cristo nos da esta força cada vez mas

20 11 2014
lopeselevadores

Republicou isso em lopeselevadorese comentado:
gostei!!

2 11 2016
Kleyton

Ótima lição,belíssimas palavras,irei passar para os jovens de minha Igreja
Para dar um incentivo uma força de vontade de crescer na vida espiritual com Deus. Obrigado por essas palavras

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